sexta-feira, dezembro 08, 2006

 

Memórias

Tinhas feito 40 anos , tinhas acabado de ser promovida e passado para a Direcção; tinhas mudado o chão da tua casa e acabado finalmente o roupeiro por que ansiavas há meses; falei para ti naquele dia 8 e disseste que tínhamos de lá a ir a casa para ver e festejar, encantada depois da obra pronta. Falámos montes de tempo , como era costume, porque falávamos de tudo, sem reservas , sem senãos. Conhecíamo-nos desde a faculdade e depois já trintonas ainda andámos a fazer aquela “cadeira” da pós-graduação , no meio dos novatos, até íamos comer à cantina , como antigamente… E divertiamo-nos e ríamos. Eras inteligente, culta, independente, interessada, dinâmica, transmitias segurança, fazias projectos… Os teus amores trouxeram-te sempre dissabores, mas são aprendizagens que ficam!
Encantaste-te quando a minha filha nasceu. Serias a “madrinha” perfeita para ela ; a madrinha que ela nunca teve.
Trabalhámos juntas em muitos projectos, colaboraste em tantos outros trabalhos : às vezes , pedias-me um parecer; outras, era eu que o fazia…
Um dia , cheguei a casa mais tarde , às pressas. O telefone fartou-se de tocar mas não o atendi porque estava a tratar da miúda e a fazer o jantar. Não havia telemóveis, nem os telefones tinham visor a mostrar quem ligava…deixei tocar pensando que era a outra a chatear…
Voltaram a ligar, noite dentro. Tinhas sofrido um acidente, ao abrir a porta do teu carro um outro embateu em ti e voaste no ar…libertando-te desta vida e das amarras que aqui te prendiam…
Partiste, para outros locais, para outras funções. Retirei todas as fotos que havia tuas, sentia-me revoltada. Tu também! Fizemos um longo percurso depois disso…
Há dias , entrei no quarto da miúda e vi aquela foto que tirámos na Praia das Maçãs, ainda ela não tinha um ano, sentada no muro da praia e tu a brincar com ela.
Tinha saudades da São –disse ela …


Comments:
Pois. Saudades. Bjinhos.
 
Gostei muito dos escritos. Convido-te a compartilhar algumas ideias.

http://memorias2.blogspot.com

Grato, Caio.
 
Querida amiga gostei muito deste post mas gostaria de te dizer que não é acabando com as fotografias que se esquece. A dor esquece-se quando a relembramos vezes sem conta. Acredita que a cada lembrança a dor passa e o que fica é amor por aquele ser que resolveu morrer e reencarnar para nova aprendizagem.
Beijos com amor
 
Olá, minha amiga,
Comoveste-me!
Beijinho grande para ti.
 
greentea
no meu cantinho,tenho uma mensagem
bem parecida com a que aqui descreves .Vai lá e lê, também é para ti.Também é sobre um amigo que tive.
bijo
Ana Paula
 
São memórias , amadis. Simplesmente.
 
caio
lá irei , compartilhar.
Obrigada pelas tuas palavras
 
Paulo
Não gosto de ter fotos de pessoas que já partiram deste mundo, nem sequer dos meus pais. Só passado muitos anos da sua morte é que um dia decidi pôr de novo uma foto que os representa quando novos. Esta minha amiga morreu tragicamente num acidente e olhar para a sua foto chocava-me, não que o retirar da foto me faça diminuir a dor da ausencia ou a saudade . Hoje talvez eu encare a morte de uma outra forma, mas naquela altura não aceitei que ela partisse assim...
De igual modo, mesmo quando um dos meus cães morre - e eu sei que tu entendes isso - apenas exponho fotos deles de um outro tempo, quando eram novos, bebés ou ainda cheios de saúde...

O antónio rosa postou hoje um texto muito bonito sobre isto: o nirvana.
Um beijo para ti
 
mihari

Um beijo grande para ti também
 
ana

já lá fui e deixei a minha mensagem .
Um beijo grande
 
Amiga
Só te quero dizer que podes tirar as fotografias todas e rasgar todas as cartas, porque a lembrança fica sempre. Não a podes arrancar da memória.
Dizer-te ainda que, embora a revolta seja muita e a dor também, o tempo atenua tudo. Atenua, somente. Jamais apaga.
Um beijo
 
Bjinho.
 
maria
hoje entendo a morte de uma outra forma , que não percebia, não sabia naquela época : a São tinha cumprido a sua missão terrena e foi a forma de a levarem , sem se dar conta , sem ter -se apercebido , sem ter sofrido , foi tudo tão ráoido e tão inesperado ...
Havia outros projectos para ela , outras formas de vida e por isso teve de partir . Daqui. Está noutra dimensão.
Um beijo
 
bom dia , Amadis.
 
Já cá tinha passado e tentado fazer um comment, tendo apagado e desistido.

E desisti para não ser frio e distante com a dor alheia.

Eu tenho um largo historial de mortes muito próximas na minha vida. Muito próximas, mesmo.

A dor e a recordação fazem parte da natureza do ser humano. São as nossas perdas mais dolorosas. A maior parte das vezes não sabemos trabalhar a nossa dor. O que se compreende. Não fomos treinados para isso e temos que manifestar as emoções.

Devemos manifestar essa dor, da forma que formos capazes, preferencialmente, chorando. Quando não se faz esse luto pessoal, corremos sérios riscos de afectar a nossa psique e o ser que partiu.

Quando alguém parte - mesmo num acidente - tem que seguir o seu caminho. O ser "deixa" o veículo físico e entra no astral durante um tempo. Podem ser segundos ou séculos. Mas o "destino" não é ficarmos no astral, sobretudo no baixo astral, chamado de umbral. O destino é prosseguir para planos superiores, a caminho da Luz, aumentando a sua própria Luz.

Desde as civilizações mais antigas, existem ensinamentos preciosos para se cuidar da "morte" com extrema serenidade e compreensão.

No ocidente, nos últimos 1000 anos esses ensinamentos foram banidos enterrados pelas igrejas cristãs e católica, por conveniência de domínio e poder, que se transformou no negócio da morte.

Voltando ao que nos interessa, o ser que desencarna, ainda tem muito presente na sua memória, a vida terrestre que teve e tem, também, os seus apegos à família e amigos que ficaram na fisicalidade. Esses apegos no astral, são quase iguais aos apegos que temos aqui, na matéria.

No entanto, esse ser que desencarnou, se não possuir demasiado carma adquirido na teve material que teve, tem um objectivo: seguir "viagem", ascender para planos superiores, reunir-se aos seus outros corpos.

Sempre que, "cá em baixo" - após o tal luto que mencionei acima - o "chamamos", o ser, se estiver no astral, volta e volta e e volta.

Não podendo prosseguir a sua viagem evolutiva.

O ser volta por amor a quem o chama. E esse chamamento pode ser feito de forma inconsciente, pela saudade.

Ainda bem que dizes, algures nos comentários, que hoje, encaras a morte de maneira diferente.

A dor não se esquece quando relembramos vezes sem conta a pessoa que partiu. Isso é "chamar" o ser que partiu.

Após o luto, que varia de pessoa para pessoa, e eu estou a falar de horas ou poucos dias - a dor só desaparece quando aceitamos verdadeiramente que a vida é finita e impermanente.

Com essa aceitação verdadeira - a da morte da pessoa amiga ou familiar - é que se processa o verdadeiro encaminhamento das almas para a Luz.

Para haver essa aceitação integral, só mesmo fazendo a despedida - eu, aqui no mundo material, e ele/a, no mundo astral.

Este foi um dos ensinamentos antigos que não nos foi passado. Só há poucos anos é que se começou a falar no assunto.

O André Louro de Almeida (em 2002) gravou 3 cd's geniais sobre a "Morte".

Aqui:

http://encontrosbelem.blogspot.com

E, nós, na editora, temos um livro sobre o assunto.

Aqui:

http://www.livrosnovalis.com/product_info.php?products_id=193



Um abraço e desculpa-me este longuíssimo comentário.
 
Comovente. e mais não posso escrever.
 
Saudade... fica para sempre daqueles que um dia amamos... beijo, amiga...
 
A saudade por vezes é dolorosa.
As memórias que ficam de quem parte, fazem com que essas pessoas fiquem para sempre connosco.
Uma grande homenagem.
Um abraço.
 
antonio
não achei nada longo o texto, porque extremamente interessante!

Fazemos o luto, choramos alheamo-nos de tudo à nossa volta qd há um luto , uma perda grande; depois vamos aceitando e vamo-nos separando desse ente que nos era tão querido e partiu... Mas há dias em que nos tornnamos a lembrar da pessoa - qd fazia anos, qd passamos em qualq ladoaonde fomos com ela , quando abrimos uma toalha qie a mãe ou avó bordaaram ou nos ofereceram ...E aí ? Quando ea miuda o meu pai deu-me uma vez uma mota de corda que eu gostava muito. Lembro-me muitas vezes dessa mota...

Queres dizer que não deveriamos tornar a lembrar tudo isso ?

Vou ver os sites que me dizes. Sei que lidáste com a morte bem perto de ti e aprendeste a superar essa situação de entes tão chegados, tão queridos! Já vou ver.
Obrigada pelo texto.
 
O vazio que nos deixam nunca fica completamente preenchido, apesar de ir doendo menos à medida que o tempo passa e recordamos mlehor os bons momentos que nos trazem um sorriso e um calorzinho ao coração, em vez de apenas dor

O teu texto comoveu-me.

Um beijo
Rute
 
Um amigo não se perde...
fica para sempre no nosso coração.
Beijos.
 
Mais um belíssimo texto apesar de tão comovente e real.

Também por experiência própria considero que ter por perto fotografias dos nossos entes queridos que passaram para outra fase, é benéfico e ajuda-nos a superar alguns momentos menos bons. Mas nem todos somos iguais. E cada um sente as suas dores de forma diferente.

Um beijo e tem um bom Domingo.
 
Meu sogro costumava cantar-me, tocando viola. Adoeceu e foi para o hospital. Dois dias antes de morrer, mesmo sem viola, cantou-me o "Confesso". Morreu o ano passado no hospital, poucos minutos antes de eu chegar à sua cama. Dizem que a audição é último sentido que perdemos. Agarrei-lhe a mão ainda quente e, chorando de mansinho, fui cantando o "Perfídia", uma canção de que ele gostava muito. Consolava-me a ideia de que estaria fazendo a sua viagem ao som da minha voz. Uma calma muito grande, apesar da tristeza, desceu sobre mim.
Uma semana depois meu filho mais velho caíu num precipício. Mais de 60 metros de voo. Aterrou num pequeno ramo que saía da falésia, o único que existia naquela zona, onde ficou perto de três horas, até ser resgatado pelos bombeiros. A única marca com que ficou foi uns arranhões nas costas.
Se aquele ramo partisse, era uma queda livre, de muito mais altura, que o esperava. Não sobreviveria.
O bombeiro que primeiro chegou ao pé dele só lhe disse: Tens um bom anjo!
Sempre achei que tinha sido o meu sogro!
Não tenho saudades dele. Está sempre presente!
um beijo, greentea. Aceita, com alegria, a memória da tua amiga.
Acho que a tua filha soube fazer isso.
 
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