terça-feira, outubro 03, 2006

 

quem tem unhas ...

Pedro é filho de mãe solteira que o pai abandonou aos sete meses de gravidez e que nunca o quis conhecer – apenas o perfilhou no Registo. Catarina é filha de divorciados, o pai semi-pedófilo e acusando a mãe, médica de profissão, de trabalhar demais . Luísa nasceu já a mãe ia nos 39 anos, o pai ausente por largos períodos até aos seus 12 anos, mas acompanhando sempre as duas. E Miguel, nascido quando Luísa, de pais aparentemente normais, vivendo debaixo do mesmo tecto com a avó.

A mãe de Pedro trabalhava por turnos em Informática, para ganhar mais algum, a criança na ama e no Colégio toda a gente dizia que ia ser um “menino da mamã”. O miúdo tem agora dezoito anos, entrou em Engenharia Electrónica, com 20 a Matemática. Será talvez sobredotado mas é o amigo predilecto de Luísa que o conhece desde os tempos do infantário e ela própria excelente aluna e hoje, colegas de faculdade.
Catarina seguiu as pisadas da mãe e já vai no 3ºano de Medicina, não se dá com o pai e tem tido sérios problemas para receber a pensão de alimentos que ele diz não poder pagar, porque o dinheiro vai direitinho para a prostituição…


Miguel está ainda no oitavo ano e nem estuda nem trabalha, superprotegido pela avó enquanto esta foi viva e joguete entre o pai e a mãe, que não se entendem mas permanecem juntos, por falta de alternativas...

Quererá isto dizer que a família se desmoronou ? Que muitos pais não têm tempo nem querem ter para cuidar dos filhos, deixando-os horas intermináveis na escola, nos infantários, no ATL ou em casa , sem os acompanharem , sem lhes ligarem, incentivando-os a ficar perante o écran da televisão ou do computador para estarem “sossegados” ou como alguns , dando apenas banho ao bebé de semana a semana porque não há tempo para fazer o jantar?


Como diz
PITANGA a educação e os bons hábitos começam no berço para que , mais tarde , os professores dos nossos filhos não se deparem com situações ASSIM (UMA TURMA DIFICIL - POST DE 27.SET2006)

Comments:
Vim agradecer a tua visita e vou regressar para te ler.

Uma boa terça feira e fica bem.

ZezinhoMota
 
Bom dia, Greentea. Obrigada pela referência ao meu post. Li o que apontas: "Uma Turma Difícil" e vejo que infelizmente é o que acontece nos tempos que correm. Também reparei no teu texto que apesar das disparidades, cada um seguiu seu caminho como quis, o que vem de encontro ao que eu penso. Berço é essencial, mas quando por alguma razão falha, cabe a própria pessoa procurar quem as ajude ou aceitar a mão de quem a oferece.

beijos e vamos continuar fazendo a nossa parte
 
Excelente post.

A tendência é essa, a do desmoronamento da família.

Solução: nãoestá à vista.

Semi-pedófilo??? lol
 
antonio

chamei-lhe semi porque a mae-medica descobriu que seu marido sr engenheiro de boas familias e nome sonante, que sempre a criticava por trabalhar demais devido aos "bancos" e turnos de hospital afinal mantinha uma vida p+aralela pagando um apartamento a uma "menina" da idade da propria filha com quem mantinha relacionamentos (amorosos?)...
 
Às vezes é dificil analisarmos as situaçoes e generaliza las. Para mim cada caso é um caso. Para mim tambem a formaçao de um ser humano começa logo na altura da sua concepçao isto para nao falar em coisas mais para trás. Ja me foi dado a conhecer que por vezes podemos herdar conflitos de ate 4 geraçoes atras. IsTo seria agora entrar aqui por campos muito complexos. A familia realmente é algo que hoje em dia nao esta muito bem definido. A meu ver tambem as pessoas andam demasiado carentes e tendem a procurar soluçoes exterioRmente, quando as deviam procurar dentro de si. Mas sinto que muita coisa ja esta a mudar e as consciencias tambem. Às vezes temos de passar de um extremo ao outro para encontrar o equilibrio. Tenho muita esperança e todos podemos fazer a diferença tentando ordenar os nossos pensamentos de uma forma amorosa e positiva. Desculpa nao passar por aqui muitas vezes. Eu gosto muito de te "ler", mas o tempo começa a ser pouco para tanta coisa. Mas conta com a minha presença volta e meia. Beijinhos
 
O ritmo da vida actual conduz muitas vezes a situações de ruptura familiar, deixando muitas vezes nas mãos dos professores situações sem saída. Como resolver? Talvez com melhores estruturas de apoio tanto a pais como a filhos. **
 
E eu q vivo em Moçambique,bem no meio de Srs. Engs. portugueses com nomes muito sonantes, sei de historias tao parecidasssss... cruzes, vou-me daqui antes q estrague algum lar.
Enfim, mas eu volto!

BjBj
 
Ainda bem que te "apropriaste" do meu post e o da Pitanga também. É sinal que somos mesmo interactivas e partilhamos preocupações. A família, de facto, é muito importante para o crescimento saudável dos nossos jovens. No entanto, não culpo a família de tudo porque a família também é fruto da própria organização social. Devemos é, em conjunto, reflectir sobre a qualidade do nosso tempo, quer no trabalho, quer com os filhos, quer do lazer. Uma vez fiz um estudo comparativo sobre o sucesso de uma série de turmas e um dos factores que saltava aos olhos que estava directamente ligado à estabilidade emocional dos jovens e que, portanto, contribuía para o sucesso, era o facto de todos aqueles que quando acabavam o dia de aulas chegarem a casa e terem "alguém" à sua espera. Este alguém representava, na maior parte dos casos, um familiar directo, como por exemplo os avós!
Faz pensar, não faz?
Beijinho grande, Lu
Obrigada pelo comentário ao meu tricolage!!!
 
Olá Greentea!!

É muito bom ter-te de volta.

Infelizmente também eu te tinha perdido o rasto, mas agora estou de volta.

Neste momento não tenho muito mais tempo,mas voltarei.

Beijos Enormes
 
Os dias andam difíceis. Há um descuido generalizado entre as pessoas. Falo do descuido de um ser humano para com o seu semelhante. As relações andam fragilizadas e o reflexo se abate, principalmente, nos mais indefesos - a criança e o idoso.
Não sei se é o fim para o casamento (instituição), unicamente, sinto que está difícil o relacionamento interpessoal cotidiano. Às vezes me dá uma idéia de que foi criado (não sei por quem, nem com que interesse) um vírus que atua nas defesas contra o afetivo.
Por isso o relacionamento virtual tomou a dimensão que tomou e vem tomando.
 
arteminorca
acredito no teu estudo mas a verdade e que nestes quatro casos relatados apenas Miguel tem os pais e a avo em casa; os outros tres vivem com a mae que trabalha fora e por vezes chega tarde. Joao cedo se habituou a chegar do Colegio, preparar o lanche, o jantar, a fazer os trabalhos sozinho e a deitar-se antes de a mae entrar pelas duas da manha quando fazia o turno da noite. Luisa e Catarina quantas vezes foram para casa sozinhas sem que as maes nem ninguem estivesse a espera delas com o lanche ou o jantar prontinho. E os tres sao excelentes alunos e jovens interessados, participativos, sociais nao anti-sociais como Miguel que aos 18 anos ainda nao fez o 8º ano apesar de o pai ser engenheiro e haver um nivel socio-cultural razoavel...
Eu propria nao me lembro de haver ninguem em casa qd chegavamos da escola e nunca os meus pais me perguntaram pelos trabalhos ou se tinha de estudar. Eu estudava...
Claro que nao podemos generalizar nenhuma das situaç~~os mas ha pais e maes que apesar de sozinhos conseguem transmitir aos filhos valores, cultura, maneiras de estar, saberes, etica e tantas outrs coisas.
Outros pais nao querem saber disso para nada, o filho e mais um brinquedo a que se da cordaou simplesmente se accionao botao do telecomando...
 
O que seria de nós se não fosse a educação herdada de nossos pais???
Belo post!
Mil Beijos...
Tom
 
Ser pai, ser mãe... eu tenho para mim que enquanto o homem e a mulher, que depois dos nascimento dos filhos se tornam pais, se não estiverem bem com eles próprios, se não se conhecerem, saberem o que querem quanto seres individuais dificilmente conseguirão passar um testemunho estável, dar e receber amor.
E depois os filhos crescem sem saber ser, estar e fazer...
Porque como tu própria o mostraste nem sempre a familia dita "normal"/"tradicional" "cria" as crianças mais felizes.

Um xi grande.
 
desassossego

cada vez me convenço mais disso.
lembro ainda , para falar de familias nao normais.
Lembro ainda Carolina criada quase sempre pelo pai desde que uma noite a mae chegou a casa e disse que vinha fazer a mala para se ir embora. A miuda ouviu , do quarto dela e depois qd foi o divorcio e definida a guarda dos filhos, ela escolheu ...o Pai. Hoje e Economista e foi sempre excelente aluna, apesar de mais tarde ter vindo sozinha para a Faculdade. A mae nunca aceitou a decisao dela!
 
São assim os novos tempos: pais demasiado ocupados, filhos a crescer vazios.

O meu marido vai ajudar-te a cuidar do golfinho bebé...

Beijinhos, bom feriado
 
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