sábado, julho 22, 2006
estio


Se eu fora outro, penso, este seria para mim um dia feliz, pois o sentiria sem pensar n'elle.Concluiria com uma alegria de antecipação o meu trabalho normal - aquele que me é monotonamente annormal todos os dias. Tomaria o carro para Benfica, com amigos combinados. Jantariamos em pleno fim de sol, entre hortas. A alegria em que estariamos seria parte da paisagem, e por todos, quantos nos vissem, reconhecida como de ali.
As cerejeiras eram a alegria da serra por altura das ceifas. Raro era o linhar e a horta que a seu tempo não ostentasse a rica vestimenta de rubis. Generosas e abundantes, comiam todos à farta, desde o rapazio aos pardais, que se pelam por elas. Mais bonito em Portugal só as laranjeiras. A rirem-se e oferecerem-se a toda a gente por cima das paredes e das demarcações, não podiam as cerejas deixar de atrair o olho lampeiro do Lêndeas, que imaginou explorá-las a bem da sua cupidez. ...(e) Teve para um ano de balcão... uma mixórdia enjoativa que os labregos, a emborcá-la, a revessarem em ânsias a cama das tripas.
Um tubo de borracha vinha sub-repticio, por detrás dos cascos, com a candonga abominável. E o freguês de rol estava com muita sorte se no cálix entrasse meia dose de bagaceira.
Assim enriquecera o tiborneiro. E sempre a coçar-se, e caspa e lendeas a cairem-lhe como granizo para a gola do casaco, e a dizer mal da porca da vida.
Quando os Lobos Uivam - Aquilino Ribeiro
Pois é... se o Pessoa fosse hoje a Benfica não comeria entre hortas, comeria na mesma, mas rodeado de altaneiros edificios, sim, e como eu os conheço!
Não sou do tempo das hortas, mas assisti a grande parte do desenvolvimento de Benfica.
Foi lá que me fiz homem...
Kiss pour toi, até outro instante
Impressionante, não é?
O texto complementar do Aquilino Ribeiro é muito bonito. Foi bom revisitá-lo depois de tantos anos!
Está a ser tão bom reler estes textos - seleccionados por outra pessoa.
É muito empático o que está a acontecer! E a Literatura e pelos vistos a Fotografia juntas fazem milagres.
Qual é a edição do teu Livro do Desassossego? A minha é a 5ªed., da Assírio e Alvim, Março de 2005. Pergunto isto porque pela grafia reflectida nos textos de tua escolha parece ser uma edição antiga. Já agora, de quando?
Sabes que até ao fim do ano vai sair uma nova de uma especialista em Fernando Pessoa?. Depois se interessar dar-te-ei pormenores dessa nova edição que, em breve, vai estar no prelo.
Beijos e um bom Sábado.
Vou andar por perto de ti num Safari fotográfico - hoje vamos «penar»!
:)
Reli-os com deleite.
Páro.
Volto a lê-los. Fazem-me meditar. Olhar para dentro de mim.
Obrigada, minha amiga. Não sabes bem porquê te agradeço mas, crê, tens sido um bálsamo.
Do coração....um beijo*
A minha edição do Desassossego é 1982 da Ática, com prefácio e organização de Jacinto do Prado Coelho, mantendo a escripta original do autor
que eu às vezes mantenho , outras actualizo se não tenho muito tempo para transcrever.
Tb acho lindissimo este trabalho de pesquisa e partilha de textos e de procura de fotos tuas para enquadramento. Outro dia a arrumar livros encontrei Aquilino e acho que se vão dar bem um com o outro.
O safari deve ser óptimo embora seja "penoso" mas fico a aguardar pelas fotos de quem andou a "penar" pela Pena.
Beijos para ti
tudo isto é Portugal, todas as fotos são da autoria da t. e estão linkadas para quem quizer ver mais - vale a pena pois lá estão identificados os locais.
As tuas melhoras . Um beijo para ti
beijos Pitanga
Veja como tudo é interessante: não nos conhecemos, um oceano nos separa, mas, ainda assim, temos o mesmo e comun amor por PESSOA.
Você já faz parte das minhas pessoas necessárias.
Abração
Como é mesmo complicado tirar lucro da natureza sem destruí-la e sem que o homem destrua a si mesmo.
Alguns já se davam conta disso: autores sensíveis e geniais.
Beijos!
gracias amiga por tus saludos, siempre con tanta ternura dejas algo lindo
un abrazo grande y que sea un bello fin de seman
besitos
besos y sueños
De resto, é bom descansar aqui do mundo feroz gerado pelo nosso Rei.
Boa semana, querida!
sossegam-nos. Os comentários alegram-nos, tanta gente bonita.
Enfim, acho que os dois autores tão contraditórios, nos mostram muito da alma portuguesa. Abç
Beijos
(hoje pesquisámos o mesmo texto...)
é verdade , a fruteira lá da aldeia emana um aroma delicioso por toda a casa, as batatas e as couves têm outro sabor...
beijinhos
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