terça-feira, junho 13, 2006

 

A vida é uma cereja ...

Em tempos que já lá vão tive um namorado que me incutiu o gosto pela poesia de Jacques Prévert. Tinha eu 16 anos e conheci-o numas férias que passei em Pedras Salgadas. O namorado seguiu a vida dele. Os poemas ficaram.
A vida é uma cereja
A morte um caroço
O amor uma cerejeira.

(trad. Silviano Santiago)

foto de Steve Winter Como pintar um pássaro

Jacques Prévert

Tradução-Homenagem: Carlos Drummond de Andrade


Pinte primeiro uma gaiola com a porta aberta.

Em seguida pinte alguma coisa graciosa,alguma coisa simples,

alguma coisa bonita, alguma coisa útil...ao pássaro.

Depois, coloque a tela contra uma árvore

no jardim,no bosque ou na floresta

e esconda-se

atrás da árvore sem dizer nada, sem se mexer.

Às vezes o pássaro chega logo,

mas pode levar muitos, muitos anos

até se resolver. Não desanime, espere.

Espere, se preciso, durante anos.

A velocidade ou a lentidão da chegadado pássaro, não tem a menor relação

com a qualidade da pintura. Quando ele chegar

(se chegar) mantenha o mais profundo silêncio,

espere que ele entre na gaiola. Depois que entrar,

feche lentamente a porta com o pincel.

Aí então apague uma por uma todas as varetas.

(Cuidado para não esbarrar em nenhuma pena do pássaro.)

Finalmente pinte a árvore, reservando o mais belo de seus ramos ao pássaro.

Pinte também a verde folhagem e a doçura do vento,

a poeira do sol, o rumorejo dos bichinhos da relva no calor da estação.

Depois aguarde que o pássaro se decida a cantar.

Se ele não cantar , mau sinal: sinal de que o quadro não presta.

Mas bom sinal, se ele canta: sinal de que você pode assinar o quadro.

Então retire suavemente uma pena do pássaro

e escreva o seu nome a um canto do quadro.


Comments:
Sinto me sempre tão bem quando te leio...
Um beijinho mt grande
 
Bom dia
Realmente, os poemas são eternos.
Por isso, amo a poesia.
Este blogue, as tuas palavras, são uma injecção de ânimo para o dia.
Vamos lá ver como corre.
Bj
Dafne
 
tinha eu dezoito anos, tive um namorado francês que me ensinou a gostar de Prevert ::))

Alicante

Une orange sur la table
Ta robe sur le tapis
Et toi dans mon lit
Doux présent du présent
Fraîcheur de la nuit
Chaleur de ma vie.

do que me fizeste lembrar... ai mulher de um raio::)))
xi
maria
 
este poema "ele" não mo ensinou ... ficou para mais tarde

ó Lua do que tu tb me foste lembrar, logo hoje que é dia de santo antónio...

e afinal Prévert ainda é muito badalado...

xi, para ti
 
Nossa, que blog lindo! Te achei através o Fotoescrita... adorei... posso vir sempre?
PArabéns!
 
volta sempre q quizeres, claro

um abraço para ti

ainda bem q gostaste, ghiza
 
Que sorte teres tido esse namorado que compartilhou Prévert contigo!
E como é bonito o poema do pássaro!
Um bom dia para ti, que o meu é de feriado...
Beijos.
 
ah fotoescrita pelos visto Prévert estava em alta na época;

a lua de lobos também teve um namorado francês genuino esse , que tb lhe ensinou Prévert...

aqui, um pouco mais acima

Alicante!
 
Eu não tive nenhum namorado que me fizesse gostar de poesia, mas gosto... das palavras que dizem tudo e não dizem nada...que fazem sentir tudo e não fazem sentir nada...assim em fila, ordenada ou desordenada...bonito... Xi
 
Querida Green!

O sistema não está nada bom hoje no PC, blogspot, sei lá...Mas, consegui chegar até aqui e adorei o conceito e a receita do Drumont, muito poética e filosófica.

Beijos!
Tudo de bom!
E, hoje é dia de torcer pelo Brasil.
 
ruth
vi há pouco num blog : os mexicanos muito devotos vestiram o meniino jesus com a camisola da selecção e estão fazendo preces para q o méxico ganhe
e se cada pais vestir o seu menino com a sua camisola ~o pobre apanha um esgotamento, coitado!!!
 
olá
a blogspot hoje está marada, já é a 3ª vez que comento e não consigo, vamos ver se é desta.
Tu delicias-me com os temas que escolhes para os teus post, este está divinal.. eu adoro pássaros, mas os que são livres, como o que todos os dias "inundam" o meu jardim ao amanhecer para virem comer as migalhas que lá deixamos propositadamente.. Adoro também cerejas, ainda há pouco comi um punhado delas ah ah. Bjhs grandes
 
TB DOU DE COMER AOS PÁSSAROS SOLTOS QUE AQUI VEM , TENHO SEMPRE UM COMEDOURO PARA ELES E DEITO AS MIGALHAS, OS RESTOS DO PÃO...
ÀS VEZES ATÉ VÃO PETISCAR À TIJELA DO CÃO E LEVAM PARA OS FILHOTES Q ESTÃO NOS NINHOS...
POR ISSO HÁ SEMPRE MELODIAS POR AQUI.

PREVERT ENSINA A PINTAR UM PÁSSARO SEM GAIOLA, SE REPARASTE - ALGO POR QUE LUTAMOS PODE SER A VIDA INTEIRA - NEM SEMPRE CHEGA, NEM SEMPRE CANTA...
BEIJOS
 
Faz-me bem ler-te... deves ter pintado um pássaro, algures. Beijinhos
 
cada um pinta o seu, 125

e espera que ele cante

para assinar o quadro
 
le temps des cerises!

Quand nous en serons au temps des cerises
Et gai rossignol et merle moqueur
Seront tous en fête
Les belles auront la folie en tête
Et les amoureux du soleil au cœur
Quand nous chanterons le temps des cerises
Sifflera bien mieux le merle moqueur

Mais il est bien court le temps des cerises
[...]


confirmo: estava em alta - pelo menos entre os namorados :=))
a Prévert (e ao namorado!) devo a minha descoberta da literatura francesa.

beijinho meu.
 
IL EST BIEN COURT LE TEMPS DES CERISES, TECUM

OU

D'...UNE ORANGE SUR LA TABLE

ET LA ROBE SUR LE TAPIS...ET TOI DANS MON LIT

AINDA BEM QUE VIESTE POR AQUI
TINHA SAUDADES TUAS ;

COME MUITAS CEREJAS, AU MOINS

QUE O TEMPO DAS CEREJAS É BEM CURTO, COM GRANDE PENA MINHA...

BEIJINHOS PARA TI
 
Belo namorado esse...

Que ele tenha encontrado muitas árvores dessas pelo seu caminho e que a vida tenha lhe presenteado com o cantar de muitos pássaros...

Esse namotrado se foi, mas deixou seu rastro e dos melhores!!!

Um beijinho de boa noite!!!

Cris
 
DEIXOU-ME COM O RASTO DE pRÉVERT,

seria época , pelos vistos porque mais namorados ensinaram a mesma poesia a outras, poesia do mesmo autor, diga-se...

mas que é um grande poeta não temos dúvida e tão actual! se fosse vivo teria 106 anos
 
Amiga

Adorei este post...

Andei 3 ou 4 dias afastada da net.
Mas hoje disfrutei com saudade do teu blog.
O poema é lindissimo...e faz-me respirar fundo.
Gostei que fosses lá (a mais um blog doentio e sem conteudo) mas é o que sei fazer por agora ...

Muitos beijos
 
A LAS 22.00 HS.DE ARGENTINA , RECIBÍ NOTICIAS DE FREYJA .
ESTÁ EN SU CASA Y MUCHO MEJOR .

GREENTEA MIS CARIÑOS

ADAL
 
É tnao bom pra minh'alma vir visitar teu blog. Ele me suaviza o dia, me deixa mais relax, principalmente depois de um dia de loucura...
 
Tenho a certeza de que ele iria cantar...

Estou a adaptar-me bem amiga, felizmente :))

Beijocas
 
fada,
ainda bem que vieste e te sentiste bem

volta mais vezes - se te faz bem

beijos para ti
 
hippie viejo


obrigada pelas noticias de freyja;

já vou ver o mail para saber dela

carinõs para ti
 
Greentea

"A vida é uma cereja"
"Como pintar um pássaro"

Sempre me disseram que as melhores cerejas são as últimas, parece-me que têm razão...
Quanto ao pássaro pintado... Prévert também estava certo.

Só se pode pintar, em perfeição, o que é livre!

Que bom gosto tinha o teu namorado! Ficaram os poemas...devo agradecer-lhe ;).

~*Um beijo*~
 
tina

ainda bem q ficas mais relax e q estas leituras te suavizam a mente;
há dias loucos e gente louca à nossa volta e temos de saber encontrar formas de os tornear.

um xi para ti
 
por vezes não temos alternativa - a bem ou a mal a solução é mesmo adaptarmo-nos embora nem sempre gostemos do que estamos a fazer mas se não houver alternativa há que agradecer ao Universo por aquilo que tvémos oportunidade de ter

beijinhos
 
Querida Amiga Greentea,

Destes dois poemas, o segundo do Carlos Drumond Andrade é extremamente belo, leve e subtil o bastante para nos encher a alma o coração.

O das cerejas é uma lição tão ou mais profunda que o outro. Contem em si o segredo da própria existência.

Um caroço (semente) de cereja é deitado à terra, que o envolve e que se deixa penetrar por ele. É acarinhado, molhado pela chuva e, contendo em si, toda a pré-programação da Natureza, fará nascer uma árvore (cerejeira), de raízes bem enterradas na terra, flores, frutos (cerejas) as quais trarão outros caroços que darão lugar a outras árvores e outros ramos, folhas, flores e frutos, numa cadeia sem nunca ter fim.

Aquela cerejeira poderá até morrer. Mas delas já nasceram outras árvores, outros frutos e assim sucessivamente.

O nosso SER maís íntimo, o nosso átomo permanente, aquele que é eterno, tipo caroço da cereja, também é eterno, imperecível, tal como a energia da Natureza, do Universo.

Chegamos cá (tal átomo permanete) e vamos fazendo nascer muitas cerejas, obtendo muitas experiências com tantas cerejeiras e flores e frutos.

Temos períodos de franca expansão (desabrocham as flores, os frutos) e períodos de contracção (repousamos de tantas cerejas que fomos).

Parabéns pelas poesias e pelas fotos.

Um abraço

José António
 
Olá Greentea,

Dá para verificar que temos alguns (muitos?)gostos em comum. Vou passar a visitar-te com regularidade e "linkar-te", desde já.

Um beijo.
 
maria
tb já te linkei
talvez até nos conheçamos, who knows? das férias, dos mesmos locais.

e a madrinha da minha irmã tinha o mesmo apelido que tens no blog.

tem um bom dia, pelo Baleal. Ainda aí tenho primas e primos
 
isabel jose antonio


o 2º poema é tb de Jacques Prévert mas traduzido por Drumond de Andrade

o importante realmente
além da rosa

é plantarmos a cerejeira e dar-lhe tempo para ela crescer e multiplicar-se - dar frutos q crescerão novamente...

e preparar a gaiola para o pássaro
que pode vir ou não, pode cantar ou não

mas não é nosso nunca

e por isso as grades da gaiola se retiram

um beijo
 
E ainda bem que os poemas ficaram, né?
 
vão-se os anéis ficam os dedos
ie,


os poemas

a poesia do que vem para além de tudo isso..

beijinhos
 
Greentea,
"Depois que entrar,feche lentamente a porta com o pincel"...Belíssima imagem!!!
 
Olá, Greentea, já te não visitava há muito tempo! Pois vim aqui hoje alegrar-me com os teus pássaros e saborear as tuas cerejas... Nos últimos tempos tenho tido mais caroços que cerejas! E cerejeiras, que é delas?
Beijo
 
Adoro Prévert e pássaros também.
esta imagem é tão linda!
Pour faire um portrait ... me remete à quase infância, que boa lembrança!
 
Lindo! Palavras para quÊ?
Gostei da cerejeira!
 
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