segunda-feira, junho 05, 2006

 

Slow life ........desacelerar



Se acreditarmos no poder expressivo das palavras, para desacelerar é fundamental desejar menos ou desejar... melhor! É o que propõe um movimento que está “desafiando o culto da velocidade”: Devagar, chama-se. E tem vários focos espalhados pelo mundo. Na Áustria, há o movimento chamado a Sociedade Para a Desaceleração do Tempo, na cidade de Wagrain. No livro “Devagar” do ex-jornalista da revista The Economist, Carl Honoré, leio que “Seus mais de mil membros são verdadeiros soldados na guerra contra o culto de estar sempre fazendo tudo mais depressa” e que os Desaceleradores têm até uma palavra especial, alemã, para resumir suas convicções: eigenzeit. “Eigen” quer dizer “próprio” e “zeit” significa “tempo”, portanto eigenzeit (você pronuncia mais ou menos assim: “aiguenzait”) traduziria em uma expressão a idéia de que “todo ser vivo, todo acontecimento, todo processo e todo objeto tem seu próprio ritmo e o seu próprio andamento inerentes, o seu próprio tempo giusto (o “tempo certo” de todas as criaturas, na língua dos italianos)”. Outro foco do movimento está no Japão e tem o nome sugestivo de Clube da Preguiça. Foi fundado em 2001 por um grupo de amigos e hoje, além de um restaurante onde a pressa está proibida, espalha o mote “Devagar está com tudo” em camisetas e canecas. Slow Food é uma outra vertente do “Devagar” e a filosofia do “comer devagar” é uma das expressões mais populares do movimento. No Brasil, alguns restaurantes já aderiram ao conceito de servir pratos tradicionais, feitos sem pressa, com ingredientes de preferência orgânicos e naturais “da região”, num ambiente que estimula a conversa afável e até certa preguiça. O movimento começou na Itália, como reação aos fast foods que ameaçavam as formas tradicionais que os italianos têm de apreciar a boa mesa, com bons vinhos e boa companhia. Carlo Petrini, um conhecidíssimo cronista de culinária da Itália foi quem lançou em 1986 a bandeira do Slow Food que defende “produtos frescos e sazonais da própria região, receitas transmitidas de geração em geração, agricultura sustentável, produção artesanal, refeições tranqüilas com a família e os amigos”.Você acha que acabou? Pois então, nada disso. Existem idéias para desacelerar também cidades inteiras ou bairros ou ruas... São Cidades do Bem Viver, onde as pessoas serão mais importantes que os veículos e os carrinhos de bebê dominarão as ruas, junto com os patins, as pessoas caminhando e passeando de bicicleta. Oásis onde modernidade e um estilo mais amigável de viver se encontram para criar um novo conceito de urbanismo, que vamos legar para nossos filhos e netos, se tudo der certo! E existem idéias para desacelerar as agendas das crianças, o andamento dos ritmos musicais – sabia que existem estudos que provam que você pode estar ouvindo Mozart num ritmo duas vezes mais acelerado do que o genial compositor imaginou? – e até a forma como fazemos exercícios! Distorcer o tempo, expandí-lo, recriá-lo, reinventá-lo, cada um do seu jeito, nem muito rápido, nem devagar demais. Cada criatura caminhando no seu tempo, no seu passo, buscando equilíbrio naquele “tempo giusto” de que falam os italianos. Afinal, ensina mais uma vez o autor de “Devagar’: “Viver Devagar significa nunca se afobar, nunca tentar ganhar tempo só para ganhar tempo. Significa manter-se calmo e imperturbável, mesmo quando as circunstâncias nos obrigam a apressar as coisas”. Abrir um espaço na agenda da alma para balançar na rede! Isto é nossa mais importante urgência! Navegue pelo site da Prevention, a revista têm vários conteúdos abertos sobre qualidade de vida e bem estarSite da Slow Food Brasil Navegue pelo site da Slow Food Internacional Manual do Slow Food em português (pdf )Conheça mais sobre o movimento no site Slow Movement Artigo lindo sobre caminhar pela vida embalada pelos ritmos naturais (em inglês):http://www.slowmovement.com/natural_rhythms.php Descubra ainda outras maneiras de caminhar devagar no site da Sociedade para a Desaceleração do Tempo (não se assuste, é em alemão, mas tem uma versão em inglês)

Autor :Adília Belotti é jornalista e mãe de quatro filhos. É editora responsável pelo Delas, o site feminino do portal IG, onde tem uma coluna chamada Toques de alma. Além disso, cuida do IgEducação e de um site de cultura multimídia, o Arte Digital.

Comments:
De repente, desacelerei ao ler o teu post, tal foi o impacto...

Desacelerando, tomamos mais consiciência de cada passo, de cada gesto, de nós e do outro...

Beijinhos :)
 
é isso mesmo , isa

desacelerar para reflectir...

um beijo para ti
 
Esquecemos tantas vezes de o fazer! Parar!

beijinho Grande
 
Acho que cabe aqui, falar da RESSONÂNCIA SCHUMANN, do Leonado Boff, por Alber.

Não apenas as pessoas mais idosas mas também jovens fazem a experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?

Pela ressonância Schumann se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo.

Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma frequência de 7,83 hertz.

Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, em razão das viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à ação de um simulador Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde. Por milhares de anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz.

O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória,mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.

Gaia, esse superorganismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se o espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançadores, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorrítmo da Terra.

Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cosmólogos e biólogos de que a Terra é, efetivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade formamos uma única entidade, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, somos Terra que sente, pensa, ama e venera. Porque somos isso, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.


Beijinhos para tua semana!!!
Cris
 
Uma das mais sábias lições que recebi em toda a minha vida foi a de um velho mestre que me disse 'nunca percas o tino de ter sempre tempo para perder tempo'.
E, a verdade, é que nunca o perdi!

amizade,
jorgesteves
 
Cris , que texto maravilhoso nos trazes!!!
Daí que seja tão importante parar para reflectir, para pensar para amar tudo o que nos rodeia...
É verdade que Gaia reencontrará decerto o seu equilibrio. Mas o preço a pagar não sabemos. E isso dói, porque somos nós todos q habitamos o planeta TERRA e desconhecemos (?) o q nos irá suceder. Mas que é tempo de agir, é!!!
Beijos para ti
 
perder tempo de ter tempo é ...ganhar tempo, jorge.

assim é, como dizia o teu Mestre e urge fazê-lo - gastar esse tempo sem o perder.
um beijo
 
Eu tenho a sorte de viver numa Cidade de Bem Viver, e não a troco por nada. Sim, imperam as bicicletas e todos se empenham em viver numa cidade amiga do ambiente. Münster já ganhou um prémido de cidade com melhor qualidade de vida. Aqui, todos damos valor a uma vida fresca e desacelarada.

Beijinhos :)
 
Gosto de viver devagar. Pena é que a maioria das pessoas não o queira fazer, algumas porque não podem, outras porque não querem ou ainda, porque não sabem tal é o hábito da correria. O mal dos tempos modernos, tentar 'viver' 48 horas em 24. Beijinho com carinho :)
 
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
 
Ai como eu adoraria que Brasília instalasse uma política de "Slow Life" para os moradores daqui... Minha vida é tão corrida que, às vezes, não tenho tempo nem para dormir, quem dirá andar de bicicleta ou correr no Parque da Cidade... Mas são os males do mundo moderno!
Adorei seu blog de hoje. Muito pertinente!
Ah! Amei a receitinha do mousse de caipirinha também! Vou fazer lá em casa e depois te conto o resultado.
Forte abraço, querida amiga.
Tom
 
Olá querida,
neste dia a dia tão corre-corre nada melhor que um post destes para desacelarar ih ih.. Que bela forma de vida.. eu adoro andar de bicicleta, pena não dar para vir nela para o emprego... Bjhs
 
Re-olá
à pouco disseram-me ontem que o pai dos gémeos esteve no Goucha. Por acaso viste ou sabes o que lá foi dito?? estou cusiosa em saber.. bjhs
 
não sei de nada nem vi nada.
escrevi a Fátima Lopes da Sic mas até hoje não me disse nada... alguém me deixou recado outro dia no blog que podia lá ir ver o q se passava e podia ajudar em serviço, creio eu.

beijinhos
 
saudades do tempo de ter tempo...
 
Entrava nessa o mais rápido possível. Uma boa ideia para contrariar a correria em que se vive hoje. Por mais que não se queira o tempo passa a correr, tudo é tão rápido que nem se saboreia as coisas boas da vida.
Obrigado pela visita e voltarei.
Beijinhos
 
já me cansei de o procurar todo o dia. Aqui tb não está.

:)
 
Esqueci de dizer ainda, que o que se entedia em um passado ainda bem próximo, como perda de tempo, atualmente começa-se a perceber que é um grande ganho, desde que esse tempo seja bem direcionado. Ao que se pode perceber, há um novo caminho sendo traçado, rumando para o ócio laboriante... Ócio pensante... Entamos estamos nós começando a voltar no tempo??? Há um novo estímulo voltando-se para os lados da Grécia antiga e seus pensadores???

Não sei... Mas sei que o ócio faz mesmo muito bem e que se precisamos trabalhar para nos sustentar, precisamos também parar e devemos fazê-lo sem culpa e que cada um passe a conhecer e respeitar mais seu próprio tempo... Isso eu mesma já faço a algum tempo!!!

Beijinhos,
Cris
 
Ah como eu gosto deste termo "desacelerar"....
Uso-o imenso!
Muito importante este teu post informando-nos de todas essas novas tendências, apontando para "o devagar, devagarinho"....Mais qualidade, mais reflexão, mais calma nas nossas vidas! E mais preguiça, ou o direito a ela...
Beijinhos
 
Paramos, reflectimos...e...continuamos, pois a vida corre qual filme, ao ritmo de sessenta fotogramas por minuto, fotograma mentira, fotograma verdade, vale a pena reflectir...

Beijinhos Armando Moreira
 
Em Sintra.... há queijadas e um grande BURACO.
 
Oi,
Queremos te convidar para conhecer o novo site do Slow Food Brasil:
www.slowfoodbrasil.com
E aproveitar para pedir para você atualizar o link no seu texto, pois o endereço antigo não funciona mais.

Se gostar do site, por gentileza ajude na divulgação.
Atenciosamente,
Equipe Slow Food Brasil
 
Enviar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?