quarta-feira, fevereiro 22, 2006
duas bifanas ...

… com mostarda , ? piri-piri?...perguntou-lhe por trás do balcão.
Reflectiu antes de responder : “Só molho”…
A cervejaria estava cheia àquela hora de fim de tarde. Só homens , na conversa da bola e a puxarem do copo da imperial e dos amendoins. Olharam-na de lado, estranhando a mulher sozinha, desajustada para o local onde a freguesia era outra. Mas ela não ligou, deixou de os ouvir enquanto esperava que as bifanas fossem embrulhadas.
Quando passara na avenida vira três vultos num portal de uma escada. Abrandou o carro para se certificar mas era difícil parar naquele local. E tinha horas marcadas por isso foi tratar das suas coisas. Mais tarde voltou a passar e tomou coragem, porque é preciso coragem, e foi falar com o homem, perguntar-lhe se queria alguma coisa para comer, se os cães tinham comido.
Já, já comi… mas para a noite não tenho nada – disse ele olhando-a, timidamente, desgostosamente. Os cães estavam aninhados no degrau bem junto a ele, para se aquecerem todos e olharam-na com a mesma ternura e inquietação que o dono, sem ladrar, sem se mexerem…
Foi ao super ali perto e só depois entrou na tal cervejaria para levar as bifanas quentes, acabadas de fazer.
Os cães levantaram-se de imediato, ao cheiro da comida, o dono espantou-se. Tanta coisa , disse ele agradecido, remexendo nos sacos.
Fica por aqui ? – perguntou –lhe para cortar o vazio. Não, daqui a bocado vou até ao jardim e depois vou para ” casa” , lá para cima ; não tem água nem luz mas estou abrigado…
Estaria. E estava limpo, os cães também, não cheiravam mal, mantendo uma certa dignidade e respeito. Agradeceu com olhos vagos , meigos, chorosos. Nos cães a mesma expressão do dono. Todos se pareciam.Vivendo cada dia, momento a momento.
"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um chama-se ontem e o outro amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e sobretudo viver." Dalai Lama
Comments:
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viver um dia de cada vez é uma arte... uns já têm esse talento, outros nem tanto... mas, todos os dias a vida mostra que é mesmo um dia de cada vez.
a nossa mente pode ser a nossa melhor aliada, ou o nosso pior inimigo. largar o passado ou ignorar o futuro é um exercício de confiança, que mente nem sempre permite.
(Querida greentea. ainda ontem citei essa frase numa conversa, ainda ontem revi algumas palavras de Dalai Lama... que coisa perfumada esta, a do correr de certas brisas!)
beijos!
tem um dia feliz!
saudações à mulher das bifanas!
a nossa mente pode ser a nossa melhor aliada, ou o nosso pior inimigo. largar o passado ou ignorar o futuro é um exercício de confiança, que mente nem sempre permite.
(Querida greentea. ainda ontem citei essa frase numa conversa, ainda ontem revi algumas palavras de Dalai Lama... que coisa perfumada esta, a do correr de certas brisas!)
beijos!
tem um dia feliz!
saudações à mulher das bifanas!
coragem, fome, dignidade, solidariedade... não fosse pelas bifanas (não como carne), e o momento seria perfeito. Lindo. Adorei. Desejo-te uma noite feliz
acho bem ! E tb divulgar o facto porque estão a destruir as florestas na Indonésia, destruindo tb os orangotangos. vem no site da avp e da animal.
fora isso , podemos trocar receitas das roças...
fora isso , podemos trocar receitas das roças...
Um espírito aberto permite encontrar verdades escondidas. O pensamento de Dalai Lama não dá pistas, dá a certeza que a nossa mente interior entende. Um momento de cada vez, como se esse momento fosse o último e único momento!...
é verdade amaral. nós às vezes tão preocupados com o nosso carrinho, a nossa casinha, o nosso dinheirinho... e tanta gente que vive assim , sem saber se à noite tem alguma coisa para comer e tem dois cães por companhia , para aquecer o corpo e a alma...
Momentos!
Momentos!
Vida de cão e no entanto os cães parecem saber mais do que nós, secalhar vivem o presente com amor pelo dono e esqueçem o amanhã que ainda não veio mas lá estarão
Abraços
Abraços
Se fosse só uma estória,o Dalai Lama não perdia tempo com isso. O problema é que estórias são as da carochinha e dos 7 anões.
Já conhecia a frase, mas nunca é demais relembrá-la, principalmente quando se está numa madrugada angustiante...
Um grande abraço
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Um grande abraço
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